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24 abr

Anita e Giuseppe Garibaldi

A FORÇA DE UM DESTINO

(retrato de Anita de 1840)

“Atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher!”

Acredito que a frase acima não condiz com a nossa realidade e, no meu parecer deveria ser corrigida como segue:

“Do lado de um grande homem existe sempre uma grande mulher!!”

Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva, nasceu em Laguna – SC, no dia 30 de gosto de 1821, filha de Bento Ribeiro da Silva e Maria Antonia de Jesus Antunes.

Ficou conhecida como Aninha e, mais tarde, como Anita Garibaldi ” A Heroína dos Dois Mundos”. Faleceu em Mandriole di Ravenna, aos 4 de agosto de 1849

Na cidade de Laguna

A família de Ana, após a morte do pai, se mudou para Morrinhos no bairro Carniça, hoje Bairro Anita Garibaldi, localidade conhecida como Campos Verdes, nos arredores de Laguna. Dali se podia atravessar facilmente o Rio Tubarão e, sua mãe podia trabalhar nas ricas residências da fluorescente Vila de Laguna, provendo assim, o sustento de seus filhos.

Residindo na Carniça e com a mãe trabalhando nas residências de Laguna, Aninha ficou com a tarefa de cuidar dos irmãos. Porém, à medida que crescia, também aumentava sua paixão e amor pela vida livre, junto aos animais e a beira dos canais e das praias que banhavam a Carniça de outrora, onde costumava banhar-se, a despeito do fato de que banho de mar era considerado um ato insano, socialmente proibido, ainda mais para uma menina-moça. Nada adiantou a repressão da mãe sobre os banhos de mar e o seu apego pela vida agreste e livre.

Vida no Brasil e o tio favorito de Anita

O tio Antônio da Silva Ribeiro era um ativista político, precursor dos ideais de igualdades sociais e da instituição do regime republicano, e há tempos pregava mudanças através de uma revolução, como forma de dar um basta ao descaso do governo central do Rio de Janeiro, na época representada pela Regência do Padre Antônio Feijó, em virtude da abdicação acontecida em 7 de abril de 1831, de D. Pedro I, em favor de seu filho menor D. Pedro II. Um dos motivos que ocasionou a Guerra das Farroupilhas 1835-1845.

Casamento de Anita

Anita foi agredida por um homem local, mas não somente conseguiu se defender, como prestou queixa na delegacia. Ao invés de ser defendida, foi considerada culpada por tal agressão, devido ao seu modo, não propício, para o Brasil daquela época. Aconselhada por terceiros e pelo padre local, Maria Bento imaginou que poderia acabar com as maledicências sobre a filha, contratando um casamento, intermediado pelo pároco. O escolhido foi, Manoel Duarte de Aguiar, um sapateiro, pelo que se sabe, nascido no Desterro. Era afeito ao seu trabalho, dedicando-se a produzir tamancos e fazer conserto de botas.

A infeliz união durou um ano e, no final, Manoel Duarte de Aguiar, o sapateiro marido de Aninha, acabou se alistando nas hordas do exército legalista imperial. Aproveitando a oportunidade que surgiu quando o coronel João Carlos Pardal o convocou, e sem maior perda de tempo, provavelmente no ano de 1837 ou 1838 abandonou a Vila de Laguna e a jovem esposa definitivamente.

Cartas à irmã Felicidade

Felicidade, sua irmã mais velha, se casou e foi viver no Rio de Janeiro. Naquela época, a forma de se comunicar era através de cartas, as quais levavam meses e as vezes nem chegava ao seu destino. Estas correspondências deixavam Aninha entusiasmada, e o fato repetiu-se por muitas vezes. Aninha, por não ser alfabetizada, valia-se de suas poucas amizades para poder escrever as respostas, limitando-se a ditá-las. Posteriormente, muitas cartas foram escritas por ela, mesmo quando passou a ser conhecida como Anita.

GARIBALDI AO ENCONTRAR-SE COM ANINHA, PASSOU A CHAMA-LA DE ANITA.

Garibaldi atracou nas costas brasileiras em 1836, fugindo da Europa por ter sido condenado por contumácia e rebelião contra o Reino da Sardenha.

Um dia quando se encontrava no tombadilho do Rio Pardo, ao cair da tarde, Garibaldi observou por sua luneta, que na rua principal da pequena vila formada pelas humildes casas de pescadores, localizada na encosta do Morro da Barra, próximo de onde estava sendo reconstruído o forte, diversos vultos femininos, envolvidos em seus afazeres domésticos. Uma delas, porém chamou-lhe a atenção: era um vulto feminino, esbelto, gracioso, que descia pela ruela com passos rápidos, em direção às casas da praia, carregando um jarro com água, o que chamou a sua atenção.

Nos dias seguintes, no mesmo horário, passou a apontar e fixar sua luneta naquela mesma direção, alimentando a tênue esperança de que ali poderia estar o fim de sua solidão, a companhia da qual tanto necessitava. Nos dias que se seguiram a viu pela luneta diversas vezes. Um dia, resoluto e sabendo o que queria, encorajou-se e determinou a seus marinheiros que, com um bote, o levassem a terra. Chegando ao local, não a viu mais, mas estava disposto a descobrir aquele “anjo” que o perturbava durante dias. Encontrou, então, no núcleo de casas, um conhecido a quem tinha sido apresentado logo após sua chegada à Laguna.

Como mandava o costume lagunense, foi convidado a tomar um café em sua casa. De bom grado Garibaldi aceitou, na esperança de assim obter informações sobre a graciosa moça que o encantou. Mas o destino reservou-lhe agradável e inesquecível surpresa. Quando entrou na soleira da porta, ali estava a jovem Aninha, com suas delicadas feições. Garibaldi antes de ir embora, dirigiu-se até a porta da casa, e ao estender a mão para despedir-se de Anita, tomou suas mãos, fitou-lhe nos olhos e disse-lhe: “Tu devi essere mia!”

Nas suas memórias, ao descrever este histórico e marcante episódio, Garibaldi afirmou que naquele instante, não disse apenas o que estava sentindo, mas estava dando a sí próprio uma sentença, sem apelação.

Foi neste dia, cuja data exata não se conhece, mas deduz-se que tenha sido na primeira quinzena de agosto de 1839, que o comandante da marinha Giuseppe Garibaldi “descobriu” na Barra da Laguna, o amor de sua vida, a lagunense Ana Maria de Jesus Ribeiro, cujas convicções, atos de bravura e fidelidade a um grande amor, a tornariam ilustre no mundo inteiro como: ANITA GARIBALDI – A HEROÍNA DE DOIS MUNDOS

Anita e Giuseppe, depois da comprovada morte do marido de Anita, se casaram numa cerimônia muito simples no Uruguai, quando a Revolução Uruguaiana estava no seu auge em1842-43.

Filhos de Giuseppe Garibaldi e Anita: Menotti, Teresita e Ricciotti (na foto do lado direito e atrás de Garibaldi)

(foto de Garibaldi com sua mulher Francesca e filhos)

No dia 02 de março de 1848, Anita Garibaldi desembarcou com os filhos em Gênova, onde foi recebida por um contingente popular de 3.000 pessoas, que a esperavam no Porto. Surpresa com a recepção, do tombadilho do navio Anita ouviu os gritos populares de “viva a família Garibaldi” – “viva Garibaldi” – “viva a Itália”. Já no cais do Porto, Anita foi homenageada com a entrega de uma bandeira tricolor. Garibaldi chegou na Itália aos 21 de junho de 1848, trazendo a esperança para todos os republicanos de uma Itália unificada.

No dia 30 junho de 1849, Anita lutava lado a lado com Garibaldi, mas os franceses lançaram um último e decisivo ataque a Roma, onde os republicanos conseguiram resisitir por 18 horas, mas no final, as trupas de Garibaldi se dispersaram.

Morte de Anita

Em fuga dirigindo-se para Mandriole com Garibaldi e queimando de febre, Anita balbuciou suas últimas palavras ao homem da sua vida, dizendo o quanto amava seus filhos. Ela se expirou às 19:45 horas do sábado, dia 4 de agosto de 1849.

Seu corpo foi enterrado às pressas e desenterrado sete vezes antes de ser definitivamente sepultado no Gianicolo, em Roma, sendo que, aos 2 de junho de 1932, foi concluído o monumento erigido em sua memória.

Monumento equestre dedicado a Anita Garibaldi no Gianicolo

Marise Nakagawa
Marise Nakagawa

Adora descobrir a cada dia um pedacinho “in più” da Toscana. Guia oficial, adotou a Itália como pátria e viveu mais de 10 anos no Japão, mas seu maior orgulho é ser brasileira.

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