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2 set

A Rificolona: uma festa quase caipira em Florença 2019

Vocês já ouviram falar da Rificolona em Florença? Quem estiver na cidade na primeira semana de setembro poderá aproveitar para participar desta antiga festa folclórica de origem religiosa que acontece no centro histórico da cidade.

Saiba mais sobre as tradições religiosas de Florença.

A Rificolona tem suas origens em meados do século XVII, e consistia na peregrinação de camponeses ao centro histórico de Florença para celebrar a Natividade da Virgem Maria, que é comemorada no dia 08 de Setembro.

Além da devoção a Virgem, o outro motivo que levava os pastores e camponeses à Florença era a possibilidade de vender seus próprios produtos e mercadorias na feira especial dedicada a Nossa Senhora no dia 07 de Setembro. Eles vinham das cercanias da cidade, mas também de vilarejos distantes e quando chegavam ao cair da noite necessitavam de luz, por isso utilizavam as extremidades de bastões para apoiarem lanternas multicores feitas de papel ou telas para iluminar o caminho até o pórtico do Santuário mariano de Santíssima Annunziata onde se abrigavam até o início da feira.

Existem várias hipóteses sobre a origem do nome Rificolona. Uma pode ser que derive de “fierucola“, uma feirinha sem muita importância e provavelmente era esta a antiga designação. Mas pode ser relacionada ao fato que os florentinos são muito gozadores, e esse fosse o modo com o qual os cidadãos tiravam sarro dos camponeses, especialmente das mulheres. Como as nossas caipiras, as camponesas usavam cores fortes nas estampas dos tecidos e tinham o corpo bem estruturado, muitas vezes com um grande traseiro. De fato, a raiz da palavra “fieru” provém de feira e “colona” ou “culona” provavelmente se refere ao grande bumbum das camponesas, que passaram a ser chamadas de “fierucolona”. Com o passar do tempo o termo “fierucolona” passou a ser “rificolona”, que é comumente usado nos dias atuais.

Atualmente existem várias iniciativas ligadas a Rificolona, e as crianças com as suas lanternas decoradas (também chamadas de rificolona), são as protagonistas da festa. O refrão da canção mais mais conhecida é:

“ona, ona, ona ma che bella rificolona!

più bella è la mia di quella della zia…

la mia l’è co’ fiocchi e la tua l’è co’ pidocchi…”

ona, ona, ona mas que bela rificolona (lanterna)!

a minha é mais bela que a da tia…

a minha é com os laços e a tua com os piolhos… (tradução livre)

Muitos preparam a sua própria lanterna de formas divertidas e engraçadas, outros compram nas lojas, e são muitas as opções. Alguns ainda usam uma velinha dentro para iluminar, mas as que são vendidas têm uma pequena lampada elétrica dentro. A outra parte da festa são os estraga-prazeres, em geral as crianças maiores que usam as “cerbotane” um canudo onde assopram uma bolinha de argila para furar as lanternas dos outros. Muitas vezes as que tem a velinha dentro podem pegar fogo.

O cortejo tradicional dos peregrinos que chegam do santuário mariano de Impruneta passa pelo centro de Florença e termina na Praça Santíssima Annunziata as 21h30, onde se localiza a igreja mais importante dedicada a Virgem Maria, a Basílica de Santissima Annunziata. Seguem espetáculos musicais e a abertura extraordinária da Basilica das 21 ás 23h.

Veja algumas belas imagens da festa de 2018 neste video publicado pela prefeitura de Florença

Não deixe de aproveitar o mercado com produtos típicos locais, gastronomia e artesanato e para quem quiser entrar na brincadeira, passe em uma das tantas lojas do bairro Oltrarno, pegue a sua lanterna estilizada e passeie pelas ruas e praças do centro histórico de Florença e quem sabe você poderá ser o vencedor do concurso da lanterna mais extravagante.

Além de seguir a tradição, o outro objetivo do evento para o governo da cidade é de incluir a Rificolona na lista do patrimônio da Unesco juntamente com o Calcio (futebol) Histórico Florentino, o Brindelone (carro de fogos utilizado na Páscoa), bem como o bairro Oltrarno de Florença com seu tecido urbano e econômico formado por artesãos, oficinas, ateliers e lojas do bairro histórico que manteve-se um dos últimos bastiões de Florença.

Texto: Beatriz Corrêa

Atualizado em 3 de setembro de 2019 por Katia Martinez

Bea Corrêa
Bea Corrêa

“A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos." (Fernando Pessoa) Santista, guia oficial, hoteleira de formação e certificada em produção de autênticos gelattos.

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