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26 jan

O Ouro na Arte em Florença

Na pintura, um dos minerais mais empregados durante a idade média era o ouro. Os lingotes do precioso material eram transformados em laminas finíssimas por artesãos chamados ‘battiloro’, que com grandes martelos reduziam o ouro em folhas, prontas para serem utilizadas nos quadros que decoravam os altares das igrejas medievais, chamados retábulos. A luz das velas refletidas na superfície dourada era considerada pelos fiéis na época a própria essência divina.

Atelier do ‘battiloro’

Folhas de ouro

No entanto, a partir do início do século XV em Florença, com a difusão da cultura humanista, houve uma grande mudança no campo artístico. A arte deixava de ser somente simbólica para se aproximar da realidade humana e, portanto, da natureza. O ouro deixou de ser usado para decorar o fundo do quadro e passou a ser empregado, junto com a prata, para requintar os detalhes das pinturas, de amplas proporções, encomendados pelos riquíssimos banqueiros e comerciantes florentinos. Estas pinturas tinham um claro objetivo de marketing pessoal, e o uso de materiais caros e raros era o melhor modo de exaltar a importância da família e da própria atividade comercial.

Um exemplo é a Cavalgada dos Magos de Benozzo Gozzoli, afresco realizado em 1459 na capela privada da família Medici, dentro do Palazzo Medici-Riccardi em Florença. Em um cenário de conto de fadas, o artista evoca o cortejo dos três Reis Magos personificados nos membros da família Médici e nos seus aliados políticos. Uma profusão de ouro, prata e lápis lazuli com o nítido objetivo de enaltecer o prestigio e o poder da família.

Cavalgada dos Magos, Benozzo Gozzoli, Palazzo Medici Riccardi, 1459
foto: wikipedia

O lápis lazuli era outro material raro e precioso muito utilizado nas pinturas. Originário de uma rocha metamórfica de cor azul era processado para remover as impurezas e se transformava em um pigmento precioso: a Lazulita, componente principal da tempera de cor azul profunda e brilhante. Era extraído principalmente na região do atual Afeganistão e era empregado com frequência na decoração do manto que cobria Nossa Senhora, simbolizando a sua realeza.

Madonna Rucellai, Duccio di Buoninsegna, Uffizi, 1285
foto: wikipedia

Nas visitas guiadas do Tour na Toscana indicaremos sempre estes materiais e os procedimentos para a sua realização nos quadros e afrescos presentes nos museus e nas igrejas, e para quem estiver interessado, poderemos levar para conhecer alguns ateliers de artistas em Florença que ainda realizam pinturas seguindo esta antiga tradição.

Salone dei Cinquecento, Palazzo Vecchio

Texto de Pola Ribeiro

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