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19 maio

O Massacre de Georgofoli em Florença

No artigo de hoje, vamos contar um pouco da história contemporânea de Florença: O Massacre de Georgoli. Trata-se de uma história triste, que ainda dói no coração de todos os florentinos.

Como se pudessemos ver a ponta de um punhal que atravessou o coração de Florença, causando a morte de inocentes dourados, da arte e deixando uma marca indelével na sua história…mas nem tudo se perdeu no momento da explosão e a esperança veio em forma de “passos de ouro”, nominada dessa forma pelo seu criador, Roberto Barni, artista toscano que presenteou a obra à cidade de Florença e dedicou às vitimas do massacre de Georgofoli, atentado mafioso da “Cosa Nostra” que aconteceu na noite entre 26 e 27 de maio de 1993.

 

Na noite de 26 de maio de 1993 foi roubado um Fiat Fiorino o qual foi utilizado para colocar os explosivos e estacionado na via dei Georgofoli. A explosão causou o desabamento da Torre dei Pulci, sede da Academia de Georgofili, e de consequencia a morte de Fabrizio Nencini, inspetor de polícia, sua esposa Angela Fiume, juntamente com suas filhas Nadia (nove anos) e Caterina com apenas dois meses de vida, pois os mesmos moravam no terceiro andar da Torre. O incêndio se espalhou nas casas próximas à torre ocasionando a morte do universitário Dario Capolicchio (vinte e dois anos) e feriu quarenta pessoas.

A obra em memoria do acontecimento, se encontra na fachada de um edifício localizado em frente a torre reconstruida depois do atentado. Este ataque fez parte da sequência de outros ataques de 1992-1993 que causaram a morte de 21 pessoas (incluindo os juízes Falcone e Borsellino) e sérios danos ao patrimônio artístico.

Em Corleone, aos 17 de novembro de 2018, foi inaugurado com o nome de Caterina e Nadia Nencioni um jardim de infância municipal em memória das duas vitimas inocentes que perderam a vida no momento do atentado.

A explosão danificou seriamente também algumas salas da Galeria dos Uffizi e do Corredor Vasariano, localizadas perto da Via dei Georgofili: 25% das obras de arte foram danificadas, enquanto as obras-primas mais importantes foram protegidas pelos vidros de proteção que amorteceram o impacto da explosão, a tela “Adorazione dei pastori” de Gherardo delle Notti, foi danificada de modo irreparável, enquanto algumas pinturas foram perdidas para sempre:

  • Concerto musicale di Bartolomeo Manfredi
  • Giocatori di carte di Bartolomeo Manfredi
  • Adorazione dei pastori di Gerrit van Honthorst
  • Aquila di Bartolomeo Bimbi e outras pinturas
  • Avvoltoi, gufi e beccaccia di Andrea Scacciati
  • Scena di caccia di Francis Grant
  • Grande cervo in una palude di Edwin Landseer

Adorazione dei pastori di Gerrit van Honthorst

De acordo com as investigações realizadas depois do acontecimento, Giuseppe Barranca, Gaspare Spatuzza, Cosimo Lo Nigro, Francesco Giuliano, Giorgio Pizzo, Gioacchino Calabrò, Vincenzo Ferro, Pietro Carra e Antonino Mangano foram reconhecidos como executores do atentado e condenados no julgamento de 1993.

Em 2008 Spatuzza começou a cooperar com a justiça e confirmou a sua responsabilidade no atentado na Via dei Georgofili. Em particular, Spatuzza declarou que o massacre foi planejado durante uma reunião na qual participaram além dele, Barranca e Giuliano com o “boss” Giuseppe Graviano, Matteo Messina Denaro e Francesco Tagliavia (boss da Família de Corso dei Mille), os quais decidiram o alvo do ataque através de folhetos turísticos.

Foi Tagliavia a finaciar a “viagem” à Florença para colocarem em prática o atentado, por esse motivo em 2011 o mesmo foi condenando à prisão perpétua.

Na reconstrução da torre foi decidido manter as marcas das rachaduras, bem visiveis para que as vítimas nunca sejam esquecidas, e como forma de advertência para que nunca mais se repita. De fato, as partes antigas e reconstruídas são ligeiramente diferentes e atravessadas pelos sulcos nas paredes. Parte da fachada foi pintada de preto, como simbolo de luto. Onze anos depois do atentado foi colocada na “via dei georgofoli” na frente do edifício destruido parcialmente no momento da explosão uma “oliveira da paz”, que representa o símbolo de renascimento após o devastante acontecimento.

O museu florentino Gallerie degli Uffizi, no dia 26 de maio de 2019, homenageará as vítimas e suas famílias do Massacre de Georgofili com um dia inteiro de entrada gratuita (para todos).

Marise Nakagawa
Marise Nakagawa

Adora descobrir a cada dia um pedacinho “in più” da Toscana. Guia oficial, adotou a Itália como pátria e viveu mais de 10 anos no Japão, mas seu maior orgulho é ser brasileira.

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