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13 nov

Negroni, um coquetel tipicamente florentino

Quem gosta de experimentar drinks especiais, não pode deixar de provar o Negroni em Florença.

Atualmente o Spritz, um coquetel típico da região do Vêneto, está sempre presente nas mesas dos bares na hora do aperitivo.

Mas que tal provar uma bebida inventada em Florença por um nobre?

A lendária história deste coquetel está diretamente relacionada com o Conde Camillo Negroni. Nascido em Fiesole em 1868, Camillo teve uma formação cosmopolita. Era neto do poeta inglês Walther S. Landor, viveu em Londres, Nova Iorque e no Wyoming e casou-se com a polonesa Anita Zazworka em 1903.

 

Além das viagens, a outra paixão de Negroni era pela bebida, tanto que um amigo antiquário de Londres escreveu-lhe uma carta aconselhando-o de maneirar no consumo de álcool, pois estava afetando a sua saúde. Mas, ao que tudo indica o conselho não foi seguido, pois o Conde prosseguiu com a intenção de aprimorar os drinks. Na Itália o maior consumo de bebida sempre foi o vinho, mas as classes mais abastadas seguiam a moda norte-americana de consumir e misturar destilados de vários tipos.

O coquetel mais em voga na Itália no início do século XX era chamado Milano-Torino pela proveniência das bebidas que o compunham; o bìter Campari de Milão, o vermute doce Punt e Mes de Turim, soda e uma fatia de laranja. Esta bebida fez tanto sucesso entre os turistas da América do Norte que passou a ser chamada de “Americano“. Levada para os Estados Unidos a popularidade do Americano se consolidou, e conseguiu também driblar a Lei Seca pois o Campari na época era classificado como um medicinal, e não como uma bebida alcoólica.

Em Florença, o Conde Negroni frequentava habitualmente o Casoni, uma drogaria que vendia diversos produtos, de liquores a perfumes, na via Tornabuoni. Não se conhece exatamente a data, mas entre 1917 e 1919 o nobre frequentador sussurrou algo no ouvido do barman Fosco Scarselli, que começou a preparar um coquetel muito discretamente. Quando terminou, Scarselli levou o drink ao Conde dizendo:

– Aqui está o “seu” Americano, senhor Conde.

caricatura de época do site http://www.eventi-firenze.it/

A cena se repetiu nos dias seguintes e os outros frequentadores ficaram intrigados e acabaram descobrindo que o aristocrático, que não gostava muito de soda, pedia ao barman de adicionar uma boa dose de Gin ao Americano. Todos queriam experimentar a novidade inventada pelo conde e começaram a denominar o coquetel de Negroni. Para distinguir os dois drinks, que tinham uma coloração tão parecida, Scarselli passou a colocar uma fatia inteira de laranja no Negroni e meia fatia no Americano.

Inicialmente o coquetel tinha ainda um pouco de soda, mas progressivamente a soda foi eliminada e a dose de Gin era inferior às outras bebidas. Atualmente a receita prevista da International Bar Association (IBA) é composta por três medidas iguais (3cl) de Gin, Campari e Vermuth e meia fatia de laranja.

O Casoni, onde nasceu o Negroni, posteriormente transformou-se no Caffè Giacosa, e em 2001 o estilista Roberto Cavalli adquiriu a propriedade, redimensionou o espaço e o estilo do bar, mantendo somente o nome. No ano passado infelizmente o bar foi fechado e no seu lugar foi inaugurada uma das lojas de Armani.

Mas existem muitas opções de bares e cafés para saborear um bom Negroni em Florença.

Se quiserem um Negroni inesquecível aconselhamos o Rivoire. Neste elegante bar na Piazza della Signoria o barman Luca Picchi é considerado o maior especialista no coquetel, pois até escreveu um livro sobre ele: “Negroni Cocktail: Una leggenda italiana” Giunti Editore.

 

No cardápio do Rivoire encontra-se a versão clássica, e outras versões de Picchi com o uso de Martini e de um pouco de soda como na versão original, e um copinho com gelatina de Negroni e casca de laranja cristalizada. Ou seja, você pode beber e comer um Negroni! Tem também a versão analcólica!

Saúde! Tin-tin!

E se quiserem fazer um tour enogastronomico com o Tour na Toscana e conhecer mais sobre as tradições e as delícias locais entrem em contato conosco!

Katia
Kátia Martinez

Paulistana, guia oficial, PHD em História e pesquisadora, já morou em Londres e na Espanha, mas escolheu Florença pelo amor à arte.

Comments:

  • Ernani Bacci Junior
    novembro 14, 2018 at 12:22 pm

    Maravilha !

    • Cristiane de Oliveira
      Cristiane de Oliveira
      novembro 26, 2018 at 9:10 pm

      Agradecemos a sua participação Ernani! Um abraço do Tour na Toscana. Quando vieres a Florença, não deixe de provar o negroni

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