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4 dez

O Mercato Nuovo e o Porcellino de Florença

No coração de Florença, no cruzamento entre a via Porta Rossa e a via Calimala (que já se transforma em Por Santa Maria próximo a Ponte Vecchio), encontra-se a Loggia do Mercato Nuovo e a fonte do Porcellino.

O Mercato Nuovo

 

O Mercato Nuovo (Mercado Novo) assim chamado para se distinguir do Mercato Vecchio (Mercado Velho), situado onde hoje surge a Piazza della Repubblica. Foi construído entre os anos de 1547 e 1551 (tem quase a idade do Brasil!) por vontade do Grão-Duque Cosimo I dos Médici. O projeto arquitetônico foi feito por Giovan Battista del Tasso.

 

Inicialmente o Mercato Nuovo era destinado a vendas de sedas e objetos preciosos e a partir do século XIX, dos célebres chapéus de palha de Florença. Foi nessa época que o Mercato Nuovo recebeu o nome de Mercato della Paglia (Mercado da Palha). Diversos clientes brasileiros ainda conhecem o mercado por esse nome. Atualmente o Mercato Nuovo é famoso pelos produtos de couro feitos à mão na Toscana, artigos finos de seda italianas e lenços, tapeçarias bordadas, camisetas turísticas e lembranças de forma geral.

A Fonte do Porcellino

 

É uma tradição, um porta fortuna e um símbolo de Florença. Uma cópia dele pode ser encontrada no parque do castelo de Enghien, na Bélgica; em Aix-en-Provence, na França, na Holanda, nos EUA, na Austrália e mais duas em Munique.

Cópia do Porcellino em Munique – Alemanha – Foto: La Legenda di Carlo Menzinger

O ponto focal do Mercato Nuovo é a Fontana del Porcellino, na verdade um javali de bronze. Trata-se de uma cópia da obra do século XVII que hoje faz parte do acervo do Museu Stefano Bardini e extraída de uma obra de mármore de época romana, hoje preservada no Uffizi.

O presente do Papa Pio IV

Porcellino – Uffizi

Por volta do ano de 1560 o Papa Pio IV, presenteou o Grão-Duque Cosimo I dos Medici com uma escultura de época romana, feito com um mármore helenístico que representa um javali, provavelmente ferido durante uma caça. Do original em mármore helenístico, Cosimo I dos Medici mandou Pietro Tacca, o melhor aluno de Giambologna, fazer uma cópia em bronze em 1612 para decorar o Palazzo Pitti.

Alguns anos após a fusão do bronze, Fernando II dos Médici decidiu transformar a obra em uma fonte, que é documentada no Mercato Nuovo pelo menos desde 1640. A fonte tinha uma função mais do que decorativa, pois fornecia água para os comerciantes que negociavam no mercado. Nesta época também data o diminutivo de “Porcellino”.

A localização original da fonte do Porcellino era na frente da Spezieria del Cinghiale na Via Por Santa Maria, aberta na primeira metade do século XVIII e local de encontro de intelectuais. No século XIX, para facilitar o tráfego rodoviário, a fonte foi transferida para sua posição atual no lado sul do mercado.

O Porcellino traz sorte

A tradição popular diz que tocar no focinho do Porcellino, traz sorte e fortuna. O procedimento completo para a obtenção do desejo realizado seria colocar uma moeda na boca do Porcellino depois de ter esfregado carinhosamente o seu focinho. Se a moeda cair dentro da grade, traz sorte caso contrário não. As moedas arrecadadas são doadas a uma instituição de caridade.

O Porcellino e Hans Christian Andersen

Ao Porcellino é dedicado um conto de fadas de Hans Christian Andersen: O Porco de Bronze (Il Porcellino di Bronze). Hans Christian foi autor de diversos contos que fizeram parte da nossa infância, como por exemplo, A Princesa e a Ervilha, A Pequena Sereia, O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, a Polegarzinha, entre outros.

O Porcellino no cinema

O Porcellino também fez duas participações nos filmes de Harry Potter: A Câmara Secreta e na segunda parte das Relíquias da Morte. No primeiro filme ele aparece decorando o saguão de entrada da escola de Hogwarts e no segundo, na Sala Precisa (Brasil) ou Sala das Necessidades (Portugal).

A Pedra do Escândalo

Uma curiosidade do Mercato Nuovo é a chamada pedra do escândalo ou como dizem os florentinos, l’ acculata. Trata-se de uma roda de mármore bicolor colocada no meio do chão do mercado. Esta pedra (a que vemos é uma réplica de 1838) reproduz em tamanho real uma das rodas do Carroccio, símbolo da República Florentina, sobre a qual a bandeira da cidade era hasteada. No ponto marcado pela pedra, o Carroccio era posicionado em torno do qual as tropas florentinas se encontraram antes de cada batalha.

O Carroccio (do latim carochium, carrocerum, carozolum, carrocerum), era chamado também de carro de quatro rodas. Tratava-se de uma espécie de carroça de batalha, que era usado quando os soldados saíam para a guerra. Durante a batalha, o Carroccio servia como ponto de referência para os soldados. Era mais alto e maior que as outras carroças e era coberto com um grande pano com as cores e o símbolo da cidade. Geralmente era puxado por um ou mais pares de bois que também eram cobertos com a gualdrappa com as mesmas cores do Carroccio. A gualdrappa é uma espécie de manto luxuoso, geralmente feito em seda bordada que era colocado na garupa dos animais, especialmente nos cavalos.

A pedra do escândalo também tinha outra função: era o ponto exato em que os devedores insolventes eram punidos em Florença. A punição consistia em amarrar os desafortunados e uma vez que as calças eram abaixadas suas nádegas batiam repetidamente na pedra.

A partir desse costume humilhante, nasceria expressões populares “essere con il cullo a terra” (está com o bumbum no chão) e, talvez, a expressão sculo, entendida como falta de sorte.

As estátuas dos ilustres florentinos

Giovanni Villani de Gaetano Trentanove (1890), Michele di Lando por Antonio Bortone (1895) e Bernardo Cennini por Emilio Mancini (1889) – Mercato Nuovo – Florença

No final do século XIX decidiram colocar estátuas de ilustres florentinos nos nichos do Mercato Nuovo. Infelizmente, apenas três foram realmente feitas:

Michele di Lando (Florença, 1343 – Lucca, 1401) foi um político e protagonista da história medieval de Florença. Foi protagonista durante a revolta dos trabalhadores da lã (Rivolta dei Ciompi) ocorrida em Florença em julho de 1378. Nessa época foi eleito gonfaloneiro de justiça para representar os interesses das classes mais baixas.

Giovanni Villani (Florença, 1280 – Florença, 1348) foi um comerciante, historiador e cronista italiano, conhecido acima de tudo por ter escrito a Nuova Cronica, um relato histórico da cidade de Florença.

Bernardo Cennini (Florença, 2 de janeiro de 1415 – Florença, 1498) foi um ourives e tipógrafo italiano. Em Florença, trabalhou como assistente de Ghiberti, na porta do Paraíso do Batistério. Seu nome está ligado sobretudo à arte da impressão. Com seu filho Domenico, montou uma gráfica da qual, entre 1471 e 1472, foi feito o primeiro livro impresso em Florença, um comentário a Virgilio (M. Servii Honorati commentarii in Virgilii opera).

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Cristiane de Oliveira
Cristiane de Oliveira

Carioca de nascimento e florentina por paixão. é curiosa, blogueira e guia de turismo. Apaixonada e especialista em vinhos, é sommelier deste de 2014.

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