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29 mar

Espresso italiano

Este periodo que atravessamos de reclusão em nossos lares no Brasil e no mundo, o bom e velho café pode ser uma companhia ideal na leitura de um bom livro. Globalmente o consumo dessa bebida perde somente para a água e trata-se do segundo produto mais comercializado ao mundo, perdendo somente para o petróleo.

A origem do café

Você sabe como e quando se originou o hábito de beber esse líquido escuro e perfumado extremamente revigorante? Já se tem vestígios da estória do café no século IX com a antiga lenda que conta que um pastor de cabras chamado Kaldi, estava caminhando com seus animais, quando percebeu que as cabras comiam frutos vermelhos, folhas e depois disso, ficavam cheias de energia e conseguiam caminhar por horas seguidas. Ele apanhou um pouco destes misteriosos frutos e os levou para sua aldeia. Ao contar para os sacerdotes o que aconteceu com as cabras, eles ficaram assustados e jogaram os grãos de café no fogo! Enquanto queimavam, um delicioso aroma começou a se espalhar: o cheiro do café torrado. Os sacerdotes gostaram do perfume que ficou no ar e tentaram salvar os grãos de café, mergulhando o que restou em água. A água ficou escura e se transformou numa das bebidas mais consumidas no mundo hoje em dia: o café.

Territorialmente a origem do café nos leva a Etiópia, precisamente em Kaffa onde até hoje crescem expontaneamente a única espécie botânica “Coffea arabica. Acredita-se que era já conhecida entre as tribos africanas na Antiguidade e o processo que utilizavam era a moagem dos grãos do café. A pasta que se formava era destinada para alimentar aos animais e guerreiros, afim de aumentar a força e vigor. Posteriormente, os frutos passaram a ser macerados e misturados com gordura animal para serem consumidos durante as viagens. Por volta do ano 1.000 d.C., os árabes passaram a fazer uma infusão (um tipo de chá), fervendo os frutos na água. No século XIV, foi desenvolvido o processo de torrefação e a bebida já era parecida com a dos dias de hoje.

A palavra café não tem relação com a cidade de origem da planta, Kaffa. O nome científico da planta foi dado pelo botânico e naturalista Carlos Lineu “pai da taxonomia moderna” – Coffea arabica. Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de “kahwah” que signfica “vinho”, devido a sua importância era chamado “o vinho do oriente”.

Em meados de 1570, o café chegou em terras italianas através do porto de Veneza. Em um primeiro momento a “bebida do satanás” devido suas “origens infiéis” foi proibida até chegar a Roma e ser provada pelo Papa Clemente VIII. Seus conselheiros pediram que ele a banisse, mas o Papa tinha uma opnião contrária e, segundo a lenda ele teria dito: essa bebida do diabo é deliciosa. Deveríamos enganar o diabo e batizá-la…”

Chegada em terras brasileiras

Até o início do século XVIII, só a Guiana Francesa plantava e comercializava o café na América. Em 1727, Francisco de Melo Palheta visitou a Guiana, para pedir mudas e sementes ao Governador Geral daquela província, mas nada conseguiu! Segundo a lenda foi D’Orvilliers, a esposa do Governador, quem escondeu mudas e sementes de café num ramo de flores e mandou entregar ao Palheta. Ele voltou ao Brasil e se tornou um dos primeiros fazendeiros de café. Estas sementes logo se espalharam pelo nosso país, mas o melhor lugar para plantar era a região sudeste, principalmente São Paulo. A produção de café era vendida para outros países, sendo transportada por navios que saiam do porto de Santos. Por isso é que foram construídas ferrovias que ligavam as fazendas até o litoral e, com isso, novas construções surgiram e profissões foram criadas como, por exemplo, o ferroviário.

Curiosidades

  • O café foi incluído na legislação Turca onde as esposas poderiam pedir divórcio caso os maridos não provessem a casa de uma cota especifica do produto;

  • O café tornou-se requinte nas mesas palacianas após o embaixador turco Suleiman Aga ter presenteado Luís XIV, rei da França com grãos de café;

  • Foi na França que, pela primeira vez foi adcionado açúcar ao café, sempre no período de Luiz XIV;

  • Chegou a ser proibido em Meca pelo governado Khair Begem 1511 e pelo sultão Murad III (1574-1595) que o considerou “bebida do diabo”;

  • A primeira loja de café foi inaugurada em 1475 em Constantinopla e na Itália em 1654 na Piazza San Marco, Veneza, com o nome “La bottegha del caffè”;

  • O novo costume de beber café em um local específico logo se espalhou por toda a Itália. Em Turim, Gênova, Milão, Florença e Roma, surgiram cafés que se tornaram famosos e importantes centros culturais, um ponto de encontro para escritores, políticos e estudiosos de todos os tempos.

O Caffé Michelangiolo em Florença

Il luogo prescelto dagli artisti toscani poi denominati Macchiaioli.

Cecioni Adriano – Il Caffè Michelangiolo, 1867

Com essa tendência em voga, em Florença nasce um movimento artístico próprio dentro de uma cafeteria chamada “Caffè Michelangiolo”. Os liberais e artistas pararam para provar o famoso ponche florentino, uma bebida feita de café e rum. Assim um pequeno grupo de pintores se reuniu e deu origem a uma das mais importantes revoluções artísticas do séc XIX. Rompendo com a pintura proposta pela Academia de Belas Artes, Lega, Signorini, Fattori e outros teorizaram o uso da “mancha” como uma ferramenta pitórica para contar a realidade cotidiana, capturando os aspectos mais animados da vida contemporânea. É possível apreciar obras desse gênero durante uma visita guiada ao Palazzo Pitti.

Silvestro Lega, Il caffe sotto il pergolato

Outra interessante cafeteria é localizada Piazza della Repubblica, “Il Gilli”. Fundado em 1733, ainda hoje possui móveis e a decoração originais, além de interessantes fotos antigas do centro histórico espalhadas pelas suas salas. Ótima oportunidade para provarem os doces típicos da Toscana acompanhados de um bom café. Segue link para você aprofundar o tema gastronomico.

Piazza della Repubblica

Caffè Gilli

 

Espresso Italiano

Tipos de café na Itália

O café é uma paixão dos italianos e segundo a Federação Italiana de Exercícios Públicos nos 150mil bares em toda a Itália, em media servem diariamente 175 xícaras de expresso, sem contabilizar outros tipos de café que um bar pode oferecer aos seus clientes. Desse ponto, constatamos o quanto cotidiano seja para um italiano parar e saborear um bom café.

Foi entre os séculos XIX e XX que começaram a aparecer as primeiras máquinas de café espresso. A pioneira era de Turin feita e patenteada por Angelo Moriondo. Pouco depois, o inventor Bezzera, milanês, patenteia uma máquina que preparava café rapidamente para os clientes, em italiano, café com preparo “espresso”. Ainda era diferente das máquinas que conhecemos hoje e em 1905 Desidero Pavoni compra a patente e coloca em produção a primeira máquina de espresso comercial: a Ideale. Em 1947, Gaggia inventa a bomba manual, possibilitando que o café fosse extraído com uma pressão mais alta levando junto alguns óleos essenciais do café. O resultado disso foi a crema, atualmente algo indispensável para qualquer bom espresso. E por fim Ernesto Valente compra a invenção de Gaggia e lança a máquina Faema E61 primeira máquina semi-automatica com caldeira na horizontal possibilitando que o “barista” conversasse com os clientes enquanto extraia o café e assim, incentivar a disseminação da cafeteria nos bairros.

Com a popularização da bebida, o termo “caffè espresso”, passa a fazer parte do dicionário italiano assim como a classificação da função “barman” muda para “barista” sob o regime fascista do governo do Mussolini pois era considerada muito americana e assim aproximava ainda mais a identidade do espresso à Itália.

Para os amantes do café, a empresa Ditta Artigianale abrirá em junho/2020 a primeira escola de café da Europa. Uma realidade única, dedicada à difusão da cultura do café e à capacitação de profissionais do setor; um conceito único, dinâmico e inovador. Mais um motivo para visitar Florença. A sede será ao interno do ex-monasterio de Santo Ambrogio, uma construção em estilo medieval, com 300 metros quadrados que estava fechado a 35 anos e graças a essa iniciativa será possível visitá-lo.

fonte: comunicaffe – Interno da nova escola de café

 

Te esperamos para tomarmos juntos um bom espresso em Florença!

Bea Corrêa
Bea Corrêa

“A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos." (Fernando Pessoa) Santista, guia oficial, hoteleira de formação e certificada em produção de autênticos gelattos.

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