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18 out

A Pietà Bandini de Michelangelo

O Divino Michelangelo, durante a sua longa vida (Ele viveu 89 anos!) nos deixou diversas obras de arte, entre pinturas, desenhos, esculturas e arquitetura. O artigo de hoje é dedicado a uma das obras mais emocionantes do mestre, a Pietà Bandini, (em português, Piedade), conhecida também como Pietà de Florença ou Pietà do Duomo.

Com a morte da grande amiga, Vittoria Colonna em 1547, Michelangelo começou a sentir um grande desconforto e a refletir sobre um tema comum a todo ser humano: a morte! Assim, quando o mestre chegou próximo aos oitenta anos de idade, começou a fazer uma série de desenhos de um tema clássico da iconografia religiosa, com a qual ele já tinha trabalhado na sua juventude: a Pietà. Porém uma Pietà com uma iconografia muito nova, longe daquela tradicional, onde o Corpo de Jesus era sustentado por um grupo de anjos ou santos. Entre os anos de 1497 e 1499, Michelangelo esculpiu a sua primeira e mais famosa Piedade, a Pietà Vaticana, conservada na Basílica de São Pedro na Cidade do Vaticano.

Michelangelo aborda três momentos relacionados a morte de Cristo a iconografia da Pietà, a Deposição da Cruz e a Sepultura de Cristo. Assim, parece que ele nos deixou três esculturas: a Pietà Bandini, Pietà de Palestrina e a Pietà Rondanini, conservada no Castello Sforzesco em Milão. A Pietà de Palestrina conservada na Galleria dell’Accademia em Florença é uma atribuição e segundo alguns historiadores a escultura não foi feita por Michelangelo, mas provavelmente por algum seguidor do mestre. Dizemos que uma obra é atribuída quando não existe nenhuma documentação que comprove a sua paternidade.

Sobre a Pietà Bandini

A Pietà Bandini, conservada no Museu da Opera dell’Duomo em Florença foi esculpida por Michelangelo para o seu próprio monumento funerário, iniciada provavelmente em 1547 e abandonada em 1555, quando o artista decidiu destruí-la.

A ira e o tormento de Michelangelo

A decisão de destruir a obra é baseada em dois motivos principais: um de ordem técnica e outro de natureza psicológica. O mármore destinado ao grupo se revelou repleto de impurezas e acima de tudo, extraordinariamente duro. Lembramos que Michelangelo já estava com uma idade avançada e esculpir exigia um grande esforço físico.

Nesse período, Michelangelo vivia uma das tantas crises depressivas que ele teve no durante a sua vida e que foi se agravando com o correr dos anos. Vasari nos conta que um dia visitando a casa de Michelangelo, uma pequena luminária caiu no chão. Enquanto pediu um assistente para trazer outra, Michelangelo comentou:

“Sono tanto vecchio che spesso la morte mi tira per la cappa per farmi andare con lei, e questa mia persona cadrà un giorno come questa lucerna, e sarà spento il lume della vita.”

Sou tão velho que muitas vezes a morte me puxa pelo capuz para me levar com ela, e um dia a minha pessoa cairá como esta luminária, e a luz da vida se apagará.”

Giorgio Vasari supõe que a lâmpada foi deixada cair no chão de propósito, diante de um especialista da arte para selar a compreensão da Pietá que ainda estava sendo esculpida. Giorgio Vasari foi escritor, pintor e arquiteto.

Sabemos que nada irrita mais uma pessoa triste e tendencialmente deprimida do que sentir-se pressionado. Sabemos também que um assistente de Michelangelo chamado Urbino (provavelmente o mesmo que trocou a luminária), pressionava o artista quase que diariamente para que a obra fosse terminada. Um dia, Michelangelo teve um crise de ira, perdeu a cabeça, deu diversas marteladas na obra, decidindo assim deixá-la incompleta.

Francesco Bandini

Foi aí que Francesco Bandini, escultor e arquiteto, conseguiu comprar a obra, mesmo em condições de abandono. Em homenagem ao novo proprietário, a obra recebeu o nome de Pietà Bandini. Um escultor chamado Tiberio Calcagni restaurou as partes danificadas, terminou a figura de Madalena, além de realizar outras pequenas intervenções.

A Pietà Bandini em Florença

A obra foi colocada na mansão romana dos Bandini e em 1564, ano da morte de Michelangelo foi em vão solicitada por Vasari para ser colocada em cima da sepultura do artista na Basílica de Santa Croce em Florença. Somente na segunda metade do século XVII é que o Grão-Duque Cosimo III de’ Medici conseguiu trazer finalmente a obra para Florença. Inicialmente a Pietà Bandini foi colocada na Cripta Medicea na Basílica de San Lorenzo, onde permaneceu até o ano de 1722. Em seguida foi transferida para a Catedral Santa Maria del Fiore e desde de 1981 faz parte do acervo do Museu dell’Opera do Duomo.

Descrição da obra

Três figuras estão em torno ao Corpo de Cristo: à direita Maria Madalena que na iconografia tradicional ocupa o lugar de Maria; no centro em alto Nicodemos, o fariseu convertido que de acordo com as Sagradas Escrituras, ajudou a remover o corpo de Cristo da cruz junto com José de Arimatéia; à esquerda, Maria mãe de Jesus. Em Nicodemos, Michelangelo se autorretrata.

O corpo de Cristo, motivo central da composição, escorrega para baixo, enfatizado pelo artista mediante a torção do busto e da perna. O braço direito, dobrado para trás, toca os ombros de Maria Madalena enquanto o esquerdo, numa pendência inerte ocupa o centro da composição dando continuidade a verticalidade de Nicodemos. A forma piramidal da obra é integrada e equilibrada com o andamento circular, quase rotatório, da esquerda para a direita. O perfil da cabeça de Jesus continua de fato na linha do busto e da coxa de Maria, prossegue no braço direito de Maria Madalena e se fecha com o braço e os ombros de Cristo.

Na escultura falta a perna esquerda de Cristo, mas isso não nos impede de apreciar a sabedoria compositiva do artista que conferiu ao grupo uma espécie de animação espiritual.

Se desejas fazer um tour temático sobre as obras de Michelangelo em Florença ou ainda visitar o Museu dell’Opera com uma das guias do Tour na Toscana, entre em contato conosco.

Cristiane de Oliveira
Cristiane de Oliveira

Carioca de nascimento e florentina por paixão. é curiosa, blogueira e guia de turismo. Apaixonada e especialista em vinhos, é sommelier deste de 2014.

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