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27 jun

Catedral de Pisa: uma obra-prima da arquitetura românica

A Catedral de Pisa, dedicada a Santa Maria Assunta (Assunção), é o principal exemplo de um edifício religioso em estilo românico pisano. Foi construída entre 1064 e 1118, ano da sua consagração, pelo arquiteto Buscheto e ampliada nos séculos seguintes. Vários arquitetos trabalharam em sua construção, incluindo Buscheto, Rainaldo e Guglielmo.

Uma obra-prima da arquitetura românica, a Catedral de Pisa é um conjunto grandioso de muitos elementos estilísticos devido à presença, durante as obras, de pessoas de diferentes culturas que, com a sua contribuição, permitiram a magnífica fusão de diversos estilos como o árabe, bizantino, o lombardo, etc.

A origem da Catedral de Pisa é ligada a uma interessante curiosidade: segundo a tradição, a sua imponente construção só foi possível porque foi financiada pelos despojos de guerra com a captura de navios sarracenos no porto de Palermo. De fato, entre os século X e XI, Pisa foi protagonista de uma grande ofensiva contra os piratas árabes na Itália meridional, no norte da Africa, Córsica e Sardenha.

A fachada da Catedral de Pisa

Uma série de inscrições na fachada da Catedral de Pisa nos fornece numerosas informações sobre a edificação do edifício. Uma delas diz que as obras iniciaram 1063 anos depois do nascimento de Cristo. Com os cálculos de hoje, sabemos que a inscrição se referia a 1064, ano que os pisanos venceram os sarracenos em Palermo. Sabemos também que a construção da catedral iniciou pouco depois da nomeação do bispo lombardo Guido da Pavia, que dirigiu a diocese pisana durante os anos de 1061 a 1076. O bispo Guido da Pavia, foi certamente, um dos promotores desta imponente obra.

Uma outra epígrafe na fachada da Catedral de Pisa, celebra o arquiteto Buscheto elogiado como superior aos heróis Ulisses e Dédalo por causa da sua grande perícia em transportar grandes colunas antigas romanas que ainda hoje podem ser admiradas na catedral. Buscheto foi sepultado em um sarcófago romano localizado no nível inferior no primeiro arco da fachada.

Ainda na epígrafe, a Catedral é exaltada com as seguintes palavras: “Non habet exemplumniveo de marmore templum” – O incomparável templo de mármore branco (tradução livre). A afirmação do anônimo poeta nos revela o orgulho do povo pisano diante da suntuosa e imponente catedral da cidade.

A fachada foi projetada por Rainaldo, último sucessor de Buscheto, que a executou na segunda metade do século XII. Na fachada que é decorada com colunas e incrustações de mármores se abrem três portais de bronze em substituição aos originais que foram destruídos durante o incêndio de 1595. Os portais de bronze foram realizados no final do século XVI na oficina do escultor florentino Domenico Portigiani a pedido do Grão-duque Ferdinando I dos Medici. Sabemos que os portais originais que foram destruídos no incêndio um era de madeira, o central era de bronze feito por Bonanno Pisano e o terceiro tinha sido trazido de Constantinopla.

Na parte superior da fachada podemos admirar janelas monoforas, bíforas e tríforas (divididas por colunas). Digna de nota, é uma pequena coluna de pórfido oriental, visível à direita da segunda galeria. Reza a lenda, que quem olha tal coluna é livre de uma traição de amor, pelo menos em um dia! Fica a dica: todas as vezes que visitar Pisa, não deixe de dar uma olhadinha na coluna!

As partes laterais da catedral de Pisa são decoradas com arcos. O edifício é dominado por uma cúpula cercada por uma galeria do século XIV.

A Porta de San Ranieri

Do lado direito do transepto, em direção à Torre Inclinada, encontra-se a notável Porta di San Ranieri. A obra, executada em bronze por Bonanno Pisano, é a única porta original da catedral que foi conservada até os dias de hoje – foi a única que resistiu ao incêndio de 1595. A porta é decorada com episódios da vida de Jesus Cristo, Profetas, anjos, Cristo Pancreator e Assunção de Maria. A porta que vemos hoje na Catedral é uma replica, a original é conservada no Museu dell’Opera del Duomo.

O interior da Catedral de Pisa

O interior da Catedral de Pisa tem uma aparência oriental, rica em luz e com o espaço que tende a se multiplicar devido ao arranjo particular das colunas. A igreja tem a planta em forma de cruz latina com cinco naves, enquanto o transepto tem três naves. A nave central é apoiada por colunas de granitos provenientes da Ilha de Elba. O teto de madeira com caixotões datado do século XVII, substituiu o original feito em capriate (tesouras) que foi destruído durante o incêndio de 1595. Os vitrais do século XIV ilustram histórias do Antigo Testamento. As naves laterais também são ricas em colunas.

A catedral de Pisa é rica em obras pictórica. A mais antiga é o pequeno quadro datado do início do século XIII, chamado de Madonna sotto gli organi (Virgem debaixo dos órgãos), obra de Berlinghiero Berlinghieri. A obra recebeu esse nome por causa da sua localização, ou seja, foi colocada no altar localizado abaixo dos órgãos. No ano de 1494, Carlos VIII, rei da França, libertou Pisa do domínio florentino, a Virgem, a qual foi feito os pedidos, se transformou em símbolo de autonomia cívica.

A torre do sino da Catedral de Pisa, a famosa torre inclinada está em uma posição atípica, no lado direito da abside e destacada da igreja.

Não deixe de ver

No transepto à direita: a Capela de San Ranieri com rica decoração escultural, o Túmulo de Arrigo VII de Tino di Camaino do século XIV;

Abaixo da cúpula, o Pulpito maravilhoso do início do século XIV feito por Giovanni Pisano, uma das obras-primas da escultura gótica italiana;

Decoração em mosaico do teto da abside – da qual a figura de São João Evangelista (c. 1302) é atribuída a Cimabue;

No altar principal, o crucifixo de bronze de Giambologna datado de 1603;

O lustre localizado no centro da nave principal, conhecido como a “Lampada di Galileo”. Segundo a lenda o cientista pisano iniciou seus estudos sobre a lei do pêndulo em 1592, observando os movimentos do lustre;

No presbitério há algumas pinturas de Andrea del Sarto, enquanto na abside há alguns afrescos de Ghirlandaio e pinturas de Beccafumi, Sodoma, Ventura Salimbeni e outros artistas.

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Cristiane de Oliveira
Cristiane de Oliveira

Carioca de nascimento e florentina por paixão. é curiosa, blogueira e guia de turismo. Apaixonada e especialista em vinhos, é sommelier deste de 2014.

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