Tour na Toscana

O vinho Chianti

 

Foto: Consorzio di Montespertoli

Foto: Consorzio di Montespertoli

Continuando a nossa rota dos vinhos na Toscana, hoje o protagonista do nosso artigo é o famosíssimo vinho Chianti.

Origem do nome Chianti

A origem do nome Chianti provavelmente é etrusca e deriva da palavra “Clanti” que segundo o livro Enciclopedia del Vino era o sobrenome de algumas famílias etruscas que tinha como tradição a produção de vinho. Existe também outra hipotése, sempre de origem etrusca, que “clante” significa água, a qual esta zona é rica, o que favorece o crescimento das uvas.

Um pouco de história

O atual nome Chianti aparece pela primeira em 1260, ano da batalha de Monteaperti, quando Dante Alighieri, o grande escritor florentino, considerado pai da língua italiana escreveu “fece l’Arbia colorata in rosso” (fez o rio Arbia colorido de vermelho), referindo-se ao sangue dos Guelfi de Florença e dos Ghibellini de Siena.
A primeira referência do vinho Chianti apareceu somente em 1404,quando uma carta endereçada a um mercador de Prato (cidade nos arredores de Florença), na qual o propritário de Vignamaggio, Marco Datini, fala do chianti se referindo ao vinho, que até aquele momento era chamado de Vermiglio.
O ano de 1716 representa uma data histórica para o vinho Chianti, ou melhor, para todos os vinhos da Toscana, pois é nessa data que o Grão-Duque Cosimo III de’ Medici estabeleceu as regras e as zonas de produção de quatro importantes vinhos toscanos: Chianti, Carmignano, Pomino e Valdarno di Sopra.
Somente no final do Século XIX, depois de algumas experiências utilizando uvas Sangiovese, Canaiolo, Trebbiano e Malvasia, o barão Bettino Ricasoli, sócio da Academia dos Georgofili e primeiro ministro do Reino da Itália (depois de Cavour), conseguiu enfim “inventar a receita” que caracteriza o atual vinho Chianti.
Definir o território de uma zona tão vasta como o Chianti não é uma coisa muito fácil, pois no seu interior se alternam colinas, montanhas e vales possuindo assim muitos microclimas e muitas diversidades de uvas. Para criar zonas mais homogêneas, no ano de 1932 foi decidido criar as subzonas do Chianti.

As subzonas do Chianti

As subzonas de produção do vinho Chianti

As subzonas de produção do vinho Chianti

As subzonas do Chianti podem ser consideradas como localizadades com regras restritas de produção dos vinhos comercializados naquela subzona. Originalmente foram criadas sete subzonas e em 1997, foi adicionada o Chianti Montespertoli, totalizando assim, oito subzonas de produção do vinho Chianti.
Cada subzona possui autonomia produtiva, ligada sempre ao próprio território e a vontade do produtor de valorizar o seu produto.
Chianti Colli Aretini

DCF 1.0

Nasce nas colinas que dominam o rio Arno na Provincia de Arezzo. O vinho Chianti Colli Aretini é um famoso vinho DOCG (denominação de origem controlada e garantida), possui uma boa estrutura, e como todo vinho Chianti é produzido na sua maior parte com uvas sangiovesse podendo ser utilizadas também outras uvas. É um vinho de cor rubi, sabor seco e deve ser consumido ainda jovem.

O Chianti Colli Aretini Riserva deve envelhecer pelo menos dois anos, dos quais pelo menos 3 meses em garrafa e deve ter um teor alcoolico de 12,5%.
Chianti Colli Fiorentini
chianti-colli-fiorentiniProduzido nas colinas nos arredores de Florença, longo ao rio Arno e ao Val di Pesa. Possui uma estrutura discreta além de não suportar um grande envelhecimento.
As condições de produção são muitas restritivas como por exemplo, o rendimento por hectare não poderá exceder 56 hectolitros de vinho, e o produto não pode ser comercializado antes do mês de Setembro do ano seguinte à colheita .

As uvas utilizadas na produção do Chianti Colli Fiorentini são as seguintes: Sangiovese, Canaiolo, Malvasia.

Simples e direto, o Chianti Colli Fiorentini é um vinho muito equilibrado, adequado para as ocasiões cotidianas.

A cor é vermelho brilhante, transparente mas consistente, enquanto o aroma é florido, intenso e persistente. Na boca, é seco e muito tânico.

O teor mínimo de álcool é de 12,5% e vai servido a 16 ° C.
Chianti Colli Senese
chianticollisenesiÉ uma grande subzona que compreende Siena, Val d’Elsa, Val di Chiana, Val di Merse, Val d’Orcia, dificultando assim definir uma descrição clara dos vinhos produzidos nessa subzona.
O Chianti Colli Senese é um vinho tinto feito a partir do “Sangiovese” uva símbolo da Toscana. O percentual de Sangiovese não pode ser inferior a 75%. São autorizados também o uso das uvas autoctones como Canaiolo nero, colorino e ciliegiolo além das uvas internacionais Cabernet Sauvignon ou o Merlot (máximo 10%).
Certamente os vinhos produzidos na parte meridional do território podem recordar (muito de leve!) a uva sangiovese utilizada para a produção do vinho Nobile de Montepulciano e o Brunello de Montalcino.
Chianti Montalbano
chianti-montalbanoProduzido na zona oeste de Florença e sul de Pistoia, trata-se de um Chianti que deve ser ainda “descoberto”. É um vinho muito próximo do Carmignano e podemos dizer que é uma versão fina e muito aromática da uva Sangiovese.
A qualidade dos vinhos Chianti Montalbano é conhecida desde o final do século XIII, quando dos campo de Valdelsa chegavam nas cantina dos bispos de Pistoia em forma de tributo.

Ao longo do tempo, o Chianti Montalbano teve muitos admiradores famosos, como Renato Fucini, Francesco Redi, Edmondo De Amicis.

Hoje a área de produção do Chianti Montalbano compreende as colinas de Montalbano, os municípios de Capraia e Limite, Carmignano, Lamporecchio, Larciano, Quarrata, Serravalle Pistoiese, Vinci, totalizando cerca de 500 hectares de vinhedos.

Os vinhos Chianti Montalbano só podem ser produzidos a partir de uvas cultivadas na área de produção. As uvas utilizadas são aquelas típicos do Chianti: Sangiovese, Canaiolo, Trebbiano Toscano e Malvasia.

A versão “Riserva” do Chianti Montalbano (bem como o Chianti Montespertoli) deve envelhecer por no mínimo dois anos, dos quais três meses em garrafa.

Apesar de produzir um vinho de antiga tradição e gosto refinado e intenso, o Chianti Montalbano possui menos de 200 produtores, produzindo cerca de 25.000 hectolitros ao ano de DOCG.
Chianti Rúfina
chianti_rufinaO vinho Chianti Rufina recebeu a Denominação de Origem Controlada (DOC) em 1967 e em 1984 a Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG).

A área de produção está localizado na província de Florença, a uma distância de cerca de 20 km da capital, e é distribuída nos municípios de Pontassieve, Rufina, Londa, Pelago e Dicomano. Produzidos próximo aos Apeninos, as uvas possuem diversas épocas de maturação, sofrendo muita diferença térmica entre o dia e a noite.

Trata-se de um vinho elegante, tânico com uma importante acidez e com complexo aroma de frutos silvestres e especiarias, além de possuir uma capacidade de envelhecimento que pode surpreender.
Chianti Colline Pisane
chianti-colline-pisaneProduzidos nas colinas nos arredores de Casciana Terme, no sudeste de Pisa. Elegante e suave, é um vinho que não ama o envelhecimento. O teor mínimo de alcool é 11,5% e a uva básica utilizada na sua produção é o sangiovese.
Chianti Montespertoli
A zona de produção compreende parte do território da comuna de Montespertoli, que dá o nome a subzona.

Graça à peculiaridade do terreno, a exposição favorável e um clima ideal, a área de Montespertoli produz vinhos e vinsanti (Vinsanto Chianti Montespertoli) de alta qualidade. É frutado, fresco e muito agradável no paladar.
Para a versão “Riserva“, o Chianti Montespertoli (bem como o Chianti Montalbano) deve ser envelhecido durante pelo menos dois anos, dos quais três meses em garrafa.
Chianti Clássico
chianticlassicoA zona mais famosa e mais antiga de produção do vinho Chianti. Compreende uma área entre as provincias de Florença e Siena. A uva básica, é o sangiovese. É uma zona importante e dedicamos um artigo somente para o Chianti Clássico.
Amante dos vinhos da Toscana? Não deixe de ler o nosso artigo sobre o vinho Brunello.
Texto: Cris de Oliveira

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