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Studiolo Francesco Palazzo Vecchio
22 nov

O Studiolo do Palazzo Vecchio

“Lo Studiolo” ou Estúdio é um pequeno ambiente que se encontra ao lado do Salão dos 500 no Palazzo Vecchio em Florença e foi realizado entre 1570 e 1575 para Francesco de’ Medici, herdeiro de Cosimo I no governo do ducado toscano, resultado do projeto realizado pelo arquiteto e pintor de corte Giorgio Vasari e do erudito e estudioso Vincenzo Borghini.

O pequeno ambiente fazia parte do apartamento privado do Grão-duque e seu único ingresso na época era a partir do seu quarto (hoje podemos visitá-lo entrando pelo Salão dos 500).

A sua colocação e conformação refletem os cânones deste tipo de ambiente em voga nos palácios principescos desde o final da época medieval. Eram lugares destinados ao estudo e ao ajuntamento de objetos preciosos e de pequeno formato que faziam parte da coleção da família, cujos proprietários mostravam somente aos convidados especiais.

Francesco I pediu que fosse construído um para guardar seus objetos preciosos (“certe sue cose”) e o quartinho (Stanzino) como era chamado foi concebido sob medida para ser: um armário de coisas raras, preciosas por valor e por arte, ou seja, joias, medalhas, pedras esculpidas, cristais trabalhados e vasos, e coisas semelhantes, de pequeno tamanho, colocadas cada qual no seu lugar divididas pelo seu gênero.

O ambiente possui forma retangular e o teto abobadado formando uma espécie de grande porta-joias, seus armários em madeira foram realizados nos vãos dos espessos muros do palácio cobrindo as quatro paredes e decorados com pinturas de forma oval.

O programa iconográfico do Studiolo celebra a relação entre a Arte e a Natureza, que eram também os interesses de Francesco I, recordado até hoje não tanto pelas suas ações no governo, mas, sobretudo pela sua paixão pela ciência, pela alquimia, pelo estudo dos fenômenos ocultos, e pelas suas experiências cientificas – uma delas a pesquisa pela fórmula da porcelana que resultou na Porcelana Medici, ou seja, a primeira tentativa com sucesso de imitar a porcelana chinesa branca e azul na Europa – algumas peças podem ser vistas no Museo del Bargello.

Segundo a criação de Borghini cada parede do Studiolo era dedicada a um dos quatro elementos da natureza – Terra, Ar, Terra e Fogo – unindo desta forma nos relativos armários todos os objetos que pertenciam àquela categoria.

Por exemplo: pedras e ossos esculpidos eram colocados no lado da Terra, os destilados vidros e metais forjados pelo calor no Fogo, os cristais no Ar e as pérolas na Água. As pinturas realizadas nas portas dos armários identificavam os objetos neles contidos e, para representá-los, foram utilizadas cenas bíblicas, mitológicas, históricas, alegóricas, e de gênero.

O esquema iconográfico há seu máximo esplendor na decoração a fresco da abobada onde é representado um Cosmograma com ao centro a personificação da Natureza que entrega uma pedra preciosa a Prometeu e ao seu redor as alegorias dos quatro elementos (Terra, Agua, Ar e Fogo), das quatro qualidades (frio, úmido, quente, seco), dos quatro temperamentos do homem (sanguíneo, fleumático, melancólico, colérico) e das quatro estações.

A grande beleza do ambiente se deve à originalidade da invenção e ao feliz resultado da colaboração de 31 artista diferentes, quase todos membros da Academia do Desenho, que foram chamados para realizá-la.

Esta peculiaridade faz do Studiolo um verdadeiro resumo do tardo Maneirismo fiorentino, e compreende obras de alguns dos maiores pintores e escultores da época como Giogio Vasari, Alessandro Allori, Giovanni Stradano, Bartolomeo Ammannati, Giambologna. As molduras são todas realizadas por Dionigi di Matteo Nigetti.

Com a morte prematura de Francesco I em 1587, o Studiolo foi inteiramente desmontado e os tesouros nele contidos se dispersaram. Os painéis pintados restaram guardados em depósitos e foram recolocados no início do século XX segundo uma colocação indicada em instruções de Borghini, mas não sabemos se realmente idêntico ao que tinha sido originalmente realizado em 1575.

Só para aumentar a curiosidade… Como em todos os palácios antigos este também é repleto de passagens e quartos secretos que revelam histórias seus ilustres moradores.

Escrevam para o Tour na Toscana e organizamos uma visita para conhecer este e outros magníficos palácios em Florença.

Pola
Pola Ribeiro

Paulistana, engenheira e guia oficial vive na Italia há 20 anos. Amante da arte, da cultura e principalmente da culinária italiana.

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