Tour na Toscana

A Catedral de San Martino de Lucca

A primitiva igreja de San Martino foi fundada segundo a tradição no século VI por São Frediano.

O bispo Anselmo de Baggio (papa Alessandro II) reconstrói a igreja com cinco naves consagrando-a solenemente em 1070 com a presença ilustre de Matilde de Canossa. Entretanto infelizmente deste edifício resta bem pouco para nos contar a história.

Arquitetura e história

O aspecto atual do Duomo é fruto de uma longa obra de reestruturação que inicia no século XII e se conclui na segunda metade de 1400, salvo pequenas ampliações sucessivas.

A parte mais antiga é a fachada que foi construída no limite de um pórtico existente e apoiando-se à antiga fachada realizada pelo bispo Anselmo por meio de dois arcos localizados acima da cobertura do átrio (ingresso).

Aproximadamente na metade do século XII as arcadas do pórtico haviam sido finalizadas. Mais tardia é a parte superior: uma inscrição atesta que Guidetto da Como (região da Lombardia) teria terminado sua obra em 1204. De 1233 a 1257 as obras realizadas no átrio foram dedicadas à decoração do muro da fachada e aos portais.

A fachada é a única parte originalmente românica da igreja. Até este momento o românico lucchese era caracterizado pela sua linear pureza arquitetônica, quase privo de ornamentação. Na fachada da igreja de San Martino surge pela primeira vez o testemunho de expressões artísticas antigas difundidas em alguns casos por via de peregrinos.

Para a parte superior da fachada a inspiração é certamente o Duomo de Pisa. O arquiteto Guildetto da Como, entretanto consegue um resultado estilístico diferente mesmo tendo como referência as ordens sobrepostas das loggette do Duomo de Pisa. Entretanto na parte superior esta permanece incompleta faltando o tímpano no ultimo registro.

Ao contrário da geometria presente na fachada pisana de Rainaldo onde os frisos, esculturas e marchetaria destacam simetricamente as linhas arquitetônicas, a fachada de San Martino em Lucca apresenta um vigor plástico e um colorido típico de maestria lombarda.

A intársia ou marchetaria (técnica de ornamentar superfícies planas através da aplicação de materiais diversos) figurativa branca e verde, brasões, elementos animais e vegetais que segundo a tradição popular retomam motivos análogos das sedas produzidas em Lucca na época e se expande liberadamente em todas as superfícies, enquanto a decoração escultórica se adensa nos capitéis, cornijas, molduras e preenchimentos com dragões, sereias, leões e figuras humanas.

A criatividade dos mestres lombardos manifesta-se especialmente na diversidade dos fustes das colunas: alguns completamente esculpidos outros espirais e saindo da boca de animais, etc.

O grupo escultórico que decora uma pequena “marquise” de mármore na fachada representa “San Martino e o pobre” (o original está dentro da igreja e na fachada fica a réplica em cimento). È uma obra singular e atualmente reconhecida como obra de um artista de cultura bizantina da primeira metade do século XIII.

O que mais impressiona é a grande assimetria proveniente das pequenas dimensões da arcada à direita em relação às demais. E sobre este aspecto certamente os arquitetos românicos tiveram que considerar a torre do campanário pré-existente e resolveram a questão com grande liberdade. Interessante notar que um fator que “ajuda” a mascarar esta assimetria é o fato que as vias urbanas da cidade de Lucca não apresentam um traçado simétrico com um eixo central em relação aos principais edifícios, sugerindo assim visadas diagonais como, por exemplo, quando se chega à Praça San Martino a partir do longo muro da igreja de San Giovanni. O efeito daquela visada reduz certamente o fator assimétrico da fachada da Catedral.


Uma ultima coisa a ser revelada sobre a fachada de San Martino é que provavelmente esta tenha sido realizada em um nível elevado em relação à construção, com uma solução análoga a fachada de San Michele in Foro elaborada mais tarde pela mesma maestranza.

O átrio

O átrio com suas três potentes arcadas não têm precedentes como solução construtiva na arquitetura da época.

No acesso à igreja pelo átrio encontramos um trabalho maravilhoso com historias de San Martino e com os meses do ano, bem como nas arquitraves das portas, sendo na central a representação de Maria e apóstolos e evangelistas e luneta com Cristo e dois anjos; sobre a porta direita, San Regolo que disputa com os Godos Arianos e luneta com o Martírio de San Regolo.

As esculturas de altíssima qualidade se caracterizam pelo equilíbrio de composição e plástica.

Meses do ano e historias de San Martino

Meses do ano e historias de San Martino

Porta central

No átrio ainda encontramos atribuídos a Nicola Pisano a decoração da arquitrave da porta à esquerda (Anunciação, Nascimento de Jesus e Adoração dos Magos) e a esplêndida “Deposição” da luneta. Seria esta possivelmente a primeira obra do artista na Toscana, recém-chegado provavelmente da Puglia (Itália meridional).

Ainda sobre o átrio, localizado no pilar à direita integrado à torre encontramos a incisão de um labirinto em pedra que é possível de se ver em outras igrejas italianas do mesmo período.

Porta esquerda

Labirinto

No próximo artigo falaremos do interior do Duomo de Lucca conhecido também pelo Volto Santo e pelo belíssimo túmulo de Ilaria del Carretto de Jacopo della Quercia.

 

 

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